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domingo, 31 de julho de 2016

COMO SURGIU A JOVEM GUARDA

Surgida em agosto de 1965, a partir de um programa televisivo exibido pela TV Record, em São Paulo, apresentado pelo cantor e compositor Roberto Carlos, conjuntamente com o também cantor e compositor Erasmo Carlos e da cantora Wanderléa, a Jovem Guarda deu origem a toda uma nova linguagem musical e comportamental no Brasil. Sua alegria e descontração transformaram-na em um dos maiores fenômenos nacionais do século XX.
Sua principal influência era o rock and roll do final da década de 1950 e início dos 1960. Grande parte de suas letras tinham temáticas amorosas, adolescentes e açucaradas - algumas das quais, versões de hits do rock britânico e norte-americanos da época.
Por essa inspiração, a Jovem Guarda tornou-se o primeiro movimento musical no país que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock da época, catalisado especialmente pelos Beatles.
Além de Roberto, Erasmo e Wanderléa, destacaram-se no movimento artistas como Ronnie Von, Eduardo Araújo e Sylvinha Araújo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Martinha, Vanusa, Rossini Pinto, Leno e Lílian, Evinha (Trio Esperança), Deny e Dino, Paulo Sérgio, Reginaldo Rossi, Sérgio Reis, Antônio Marcos, Kátia Cilene, Sérgio Murilo, Waldirene, Arthurzinho, Ed Wilson, Ronnie Cord, Jorge Ben Jor, Tim Maia, George Freedman, além de bandas como Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, Lafayette e seu Conjunto, Os Incríveis, Os Vips, Os Jovens, The Pops e The Fevers.
Fenômeno midiático que arrastou multidões, também designado como iê-iê-iê, em alusão direta à expressão yeah-yeah-yeah presente em sucessos dos Beatles, a Jovem Guarda era vista com restrições por setores da crítica, uma vez que sua música era considerada alienada pelo público engajado, mais afeito, primeiro à bossa nova e, depois, às canções de protesto dos festival.
O programa "Jovem Guarda" foi uma criação da agência de propaganda Magaldi, Maia e Prosperi para a grade de programação da TV Record. A demanda veio com a proibição das transmissões ao vivo das partidas de futebol aos domingos.
Os idealizadores do programa inspiraram-se em uma frase do revolucionário russo Vladimir Lenin, onde dizia "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada". Eles vincularam a expressão com a imagem dos então emergentes cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

NEIL SEDAKA'S 21 GOLDEN HITS- ORIGINAL VERSIONS

Neil Sedaka - Sedaka's Back (1974)

Neil Sedaka - Neil Sedaka Sings His Greatest Hits (1963)

Neil Sedaka - All the Best (FULL ALBUM)

Neil Sedaka - I Do It For Applause

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Em entrevista, Bobby de Carlo conta como surgiu o conjunto The Vampires, os famosos The Jet Black’s!

Em entrevista, Bobby de Carlo conta como surgiu o conjunto The Vampires, os famosos The Jet Black’s!

Hoje, 10 de julho de 2014, conversei por telefone com o cantor Bobby de Carlo após ouvir seu depoimento a Antonio Aguillar, gravado no vídeo que postarei abaixo.
A ele me apresentei como amiga do Aguillar, do Primo Moreschi e do Serginho Canhoto, expliquei que eu havia pedido ao Antônio Aguillar que fizesse a entrevista com ele para definitivamente esclarecermos a polêmica sobre a fundação do conjunto, uma vez que todos conheciam a história que foi publicada por Eduardo Reis em seu livro “The Jet Black’s”, porém diante do conhecimento de outra história contada por Primo Moreschi em seu livro “O Protagonista Oculto dos Anos 60”, surgiram fatos novos e soubemos que a verdade era outra e que precisávamos de mais provas, e sendo ele, Bobby de Carlo, uma das únicas pessoas a testemunharem esta verdade, houvemos por bem contatá-lo.
Bobby de Carlo deu seu depoimento ao Antônio Aguillar dois dias antes, e quando perguntei se ele havia lido o livro de Joe Primo, ele me disse que não, mas que gostaria de ler; falou que havia perdido o contato com o Primo, que ele tinha sumido sem dar mais notícias, mas que sabia que ele está morando no Estado do Mato Grosso.
Quando falei no livro The Jet Black’s publicado pelo Eduardo Reis, ele me disse que realmente ele contém muita coisa errada, e que ainda no tempo do Orkut havia respondido um tópico onde uma mulher (ele não soube dizer o nome da pessoa) tinha criado um tópico sobre a história do conjunto; na ocasião ele escreveu um texto contradizendo a história informada no tópico, perguntei se ele ainda tinha o texto, ele falou que já foi há muito tempo e que o Orkut nem existe mais…
Como ele me disse que não havia lido o livro O Protagonista Oculto dos anos 60, eu contei alguns relatos que li, expliquei de como Joe Primo conta em seu livro sobre o dia em que sugeriu ao Aguillar que fizesse um programa de auditório (isso o próprio Aguillar também, por telefone, me disse que aconteceu), e a forma como o nome The Ventures foi citado (de improviso) pelo Primo na época ao ser perguntado qual era o nome de seu conjunto, e que saindo de lá naquele dia o Joe Primo foi direto para a casa dele (do Bobby), que disse “Primão, você tá louco…”, e o Bobby recordou isso concordando que realmente aconteceu, inclusive dizendo que foi verdade que ele, Bobby de Carlo, foi quem sugeriu o nome The Vampires, e que como eles não sabiam inglês, pronunciavam The VâmPIres.
Entre outras coisas, ele disse que gostaria de ler o livro do Primo, eu então enviei a ele por E.mail o texto do livro.
Ah! O Bobby de Carlo também recordou os nomes dos primeiros integrantes, lembrando que havia um primo do Joe Primo, o Carlão. Quando Primo chegou falando do comprometimento com Antonio Aguillar em formar um conjunto para acompanhar os cantores no programa de auditório, ele se lembrou de que tinha um amigo que tocava, chamado José Paulo, e então decidiram convidá-lo para integrar o conjunto; o Zé Paulo tinha um amigo que tocava bateria, e também foi convidado, aceitando fazer parte do grupo; este amigo do Zé Paulo era o Jurandi. Bobby de Carlo lembrou que como o Jurandi era o único que trabalhava numa empresa (ele citou o nome, não me lembro), ele tinha crédito para comprar a prazo e por isso foi ele quem comprou os instrumentos e a bateria.
Portanto, a primeira formação do conjunto era Primo, Carlão, Bobby de Carlo, Zé Paulo e Jurandi.
The Jet Black's tocam durante uma apresentação do cantor Little Black, que se chamava Jet Black mas cedeu seu nome para o conjunto. Na foto aparece o Carlão. Programa Ritmos para a Juventude.
The Jet Black’s tocam durante uma apresentação do cantor Little Black, que se chamava Jet Black mas cedeu seu nome para o conjunto. Na foto aparece o Carlão.
Programa Ritmos para a Juventude.
Bobby de Carlo me contou que a sua primeira gravação foi Oh! Eliana, e confirmou que tanto nesta como em Tijolinho, teve a participação do Joe Primo no backing vocal. Sua permanência no conjunto durou pouco, e ele teve que deixar o conjunto.
Enfim, eu fui falando o que me lembrava de ter lido no livro e ele foi confirmando tudo, inclusive que a ideia inicial de formar o grupo foi do Primo Moreschi, o Joe Primo.
Uma curiosidade: Sobre o fato de o seu nome muitas vezes ser escrito erroneamente, ou seja, Bobby “di Carlos”, o Bobby explicou que costuma dizer que ele é singular, ou seja, Carlo, e não Carlos como muitos pensam, e também é “de” e não “di”. Rsrs
Infelizmente não tive como gravar minha conversa com ele, pois foi por telefone, mas registro aqui suas palavras escritas via E.mail sobre o amigo e companheiro Primo Moreschi:
“Eu diria que Primo é um artista! Musico, pintor, compositor, poderia ser também um grande ator comediante. Lembro-me de um texto seu que em resumo seria isto:

“…Como você é linda, seu vestido branco, suas mãos tão delicadas, seu rosto tão lindo, sua pele clara, muito clara.
Porque não fala comigo?
Acorda! acorda! ACORRRRDA!!!  
Pô!  Não vê que ela tá morta?”

Desculpe o humor negro, mas isso era coisa do Primo…

No meu primeiro LP pela gravadora Mocambo, gravei com os Megatons. Foi certamente um dos momentos de maior prazer na minha vida.
Sem imposição alguma, gravei o que queria da forma mais descontraída possível.
Com o bom humor do grupo, o clima era maravilhoso. Criei arranjos, participei como musico, convidei para participar em algumas faixas o Wanderley pianista, (ex Roberto Carlos), o Nestico sax do Jet´s, e nunca houve por parte dos Megatons, Primo, Bitão, Luiz, Renato e Edgar qualquer tipo de estrelismo.
Nós nos divertimos muito.  Coisa que não aconteceu quando da minha volta ao The Jet Black´s em l964, quando disse ao Jurandir para que criássemos algumas musicas, coisas próprias. Porem ele achava melhor “tirar” musicas de outros conjuntos, ou seja, copiar o original e tocar nos Jet Black´s. Coisas estas que fazíamos em nossa adolescência musical.
O Orestes saiu, e eu, desmotivado, saí também.
Serei sempre amigo do Primo, tenho-o em alta estima.
Tenho certeza que a década de sessenta será marcada positivamente em nossas vidas!
Um grande abraço” ”
Segue o vídeo da conversa entre Antônio Aguillar e Bobby de Carlo, gravada gentilmente pelo Aguillar a meu pedido.
Mais uma vez Aguillar, muito obrigada!
Na minha opinião, o Bobby de Carlo não achou por bem dizer ao Antônio Aguillar que o Joe Primo havia mentido pra ele que tinha um conjunto formado cujo nome era The Ventures, e que pra imitar o som deste nome, ele havia pensado em The Vampires (pronúncia deles: Vâmpires).
Em 16 de julho de 2014, via E.mail, Bobby de Carlo escreveu:
“Reconheço não ter sido explicito com relação aos Vampires. Porem, me perdoem, mas achava irrelevante falar novamente no programa a mesma história por mim dita várias vezes ao A. Aguilar. Ele já sabia da historia, eu é que não sabia dos motivos que me levaram a essa entrevista. Lamento. Quanto ao Jet Black´s, nunca fui submisso ao Jurandir ou Zé Paulo. Nunca dei entrevista a ninguém quando de minha participação no conjunto. Acredito, isto sim, que nunca fui convidado para não contrariar a versão dada pelo Jurandir sobre a origem dos Vampires-Jet Black’s.
Lendo o livro O Protagonista Oculto dos anos 60, reconheço por lapso nunca ter citado o Johnny e Bêne amigos importantes para a formação do grupo. Imperdoável.”
Não poderia jamais esquecer do Johnny e seu irmão Bêne que muito nos ajudaram cedendo a oficina de estofados de autos no Pari, para que pudéssemos ensaiar, como bem lembrou o Primo.” (Bobby de Carlo em 16-07-2014)
Depoimento do Baterista Foguinho (The Jordans) sobre esta época: